Os ataques ao serviço público se intensificam, mesmo antes da entrega da Proposta de Reforma Administrativa pelo governo federal ao Congresso Nacional, ocorrida no dia de hoje (3). As tentativas de confundir a população acontecem em níveis macro – através da mídia hegemônica – e micro – no âmbito dos meios de comunicação locais.

Novamente, o jornal OCP impresso e também em sua edição on line de hoje (3) traz à tona a generalização. O veículo se presta a fortalecer a pecha de que a máquina pública está inchada, é cara e improdutiva, que os servidores recebem salários altíssimos e que é preciso acabar com a estabilidade no serviço público.

Quando o OCP insinua, em seu editorial, haver “convicção de que o atual modelo é impraticável e ultrapassado para um país que pensa no futuro”, nós seguimos na mesma linha de raciocínio. O modelo de gestão pública é impraticável e ultrapassado porque faltam servidores, porque o poder econômico se apropria da máquina pública a seu favor e a corrompe desde suas entranhas, em detrimento da imensa maioria da população que necessita de serviços públicos de qualidade. Para essa gente, quem não tem dinheiro que se exploda, essa gente tem “nojo de pobre”, como diria o personagem Justo Veríssimo, interpretado pelo saudoso Chico Anísio.
“Mastodôntica e morosa” é a burguesia opulenta que nada produz e lucra muito com a exploração da força de trabalho, da classe trabalhadora – aí incluída os servidores públicos das três esferas. Qual a medida da produtividade dos servidores públicos que estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus, a despeito da falta de condições de trabalho e dos riscos de contaminação? Ora, seu Editor, super-salários quem ganha são os servidores dos poderes judiciário e legislativo da União, em sua minoria, além da cúpula das forças armadas. Regra geral, os demais servidores – especialmente do poder executivo municipal – recebem salários ao nível da subsistência.

Comparar os salários dos trabalhadores da iniciativa privada aos dos servidores públicos é, no mínimo, uma covardia, na medida em que joga uns contra outros – sendo que todos somos uma só classe mal remunerada, por sinal. A propósito, em termos comparativos, servidor público não tem Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Ao se aposentar, também nada recebe além do salário da ativa. É cômodo nivelar por baixo, em uma sociedade que ainda não evoluiu a ponto de taxar as grandes fortunas, de cobrar essa gente abastada que usufrui das benesses produzidas pela classe trabalhadora sem a devida contrapartida social. Chega de estado mínimo, basta de sociedade neoliberal! Que fique bem claro: vamos lutar, sim, contra os ataques aos direitos dos servidores públicos. Serviço público é um bem coletivo que precisa ser valorizado e preservado.