Nessa semana, duas “lideranças”, da área política e da comunicação, vieram a público manifestar sua inconformidade pela demora no retorno às aulas presenciais na rede pública de Educação, em Santa Catarina, respectivamente, o deputado Kennedy Nunes (PSD) e o colunista de OCP Moacir Pereira. “Muito fácil para os educadores ganhar em casa sem trabalhar”, disse o deputado Kennedy nas redes sociais. “… Os professores estão acomodados numa posição ideológica tranquila. Há cinco meses recebem os salários em dia sem precisar ir à escola para atender os alunos”, escreveu o colunista de OCP. Defensores ferrenhos do livre mercado e bocas alugadas do poder econômico, Kennedy e Moacir se prestam a jogar a população contra os professores, como se estes fossem culpados pelo isolamento social em consequência do novo coronavírus.

Nesse momento, o Brasil é o epicentro da pandemia no mundo e nosso estado lidera o número de mortes pela doença. Já são mais de 103 mil vidas perdidas em nosso país e de 3 milhões de casos confirmados da doença. A propagação alarmante do coronavírus é consequência direta da irresponsabilidade com que o presidente e o governador tratam a questão sanitária. E são os trabalhadores que morrem por causa dessa “gripezinha”, conforme menospreza o presidente Bolsonaro. Pergunte ao deputado Kennedy Nunes e ao colunista Moacir Pereira onde eles estão agora? Nas suas casas, protegidos do contágio, enquanto os trabalhadores ficam expostos diariamente. E os servidores públicos permanecem na linha de frente do combate à Covid-19, lutando contra o vírus, em permanente risco de contaminação. Continuam salvando vidas!

Os educadores não estão em casa “fazendo cuquinhas”, como insinua o falso moralista Kennedy Nunes. Mas, sim, trabalhando pelos seus alunos, mesmo sem acesso adequado à tecnologia e sem condições de absorver essas mudanças repentinas trazidas pelo ensino remoto. Passou da hora de acabar com a demagogia, com essa política genocida que não protege o povo. Para combater a pandemia, é necessário entender que a vida de todos depende da vida de cada um. Pai e mãe não podem decidir se o filho vai ou não à escola, afinal, essa é uma decisão de governo. O país precisa de distanciamento social ou ficará sem leitos hospitalares e profissionais de saúde para atendimento à população. Como disse o presidente da nossa Federação dos Trabalhadores Municipários, a Fetram, Lizeu Mazzioni: “Lavem a boca com água e sabão, antes de ofender os professores”.

Luiz Cezar Schorner – Presidente do Sinsep