De uma maneira tendenciosa, o jornal OCP aproveitou-se do feriado do 1º de maio – Dia Internacional do Trabalhador – para destilar todo o seu preconceito contra os servidores públicos. Caberia, antes de tudo, que o jornal ouvisse o outro lado dessa história – regra mais básica do Jornalismo – , ou seja, as entidades representativas da categoria, como o Sinsep e a Fetram-CUT (Federação dos Trabalhadores Municipários de Santa Catarina). Antes de mais nada, é importante que se reforce: os servidores públicos estão na linha de frente no combate à pandemia do coronavírus, diferentemente do que tenta transparecer o jornal OCP, muitas vezes atuando em condições precárias, sem equipamentos de proteção e em perigo constante de contaminação.
O ataque inicia na chamada de capa: “Funcionalismo consome 10% do PIB”. Nas páginas seguintes, prossegue o leque de críticas à nossa categoria, ao Estado e aos políticos em geral, como se todos fôssemos farinha do mesmo saco. “Congelamento de salários dos servidores públicos: mais um deboche com o povo em meio à crise”, diz o título de um artigo, procurando jogar a população contra os servidores. Na página de Política, o texto compara salários de outras categorias com o salário de deputados estaduais, federais e senadores. Para completar, a coluna “Plenário” relaciona o aumento do desemprego no governo Bolsonaro, no primeiro trimestre do ano, com a contratação de servidores no mesmo período, e defende o congelamento dos salários da categoria até 2021, proposto pelo ministro Paulo Guedes e já aprovado no Senado.
Os adeptos do mercado não se cansam de insinuar que a máquina pública está inchada e ganha muito. O Brasil, sendo a quinta maior população do planeta, é um dos países onde a média de servidores em relação à população trabalhadora (12%) é das mais baixas no mundo, atrás da Dinamarca e Noruega (35%), Suécia (28%), Reino Unido (23%), Canadá e França (20%), África do Sul, Itália e Espanha (17%). A média mundial é de 21%. Nosso problema não é quantidade, mas qualidade (no caso específico de Jaraguá do Sul e Região, falta servidor em diversas áreas para atender a população, como Saúde e Educação). Nossos salários são muito baixos e pouco atrativos, embora alguns servidores custem muito caro, especialmente no Legislativo e Judiciário. A imensa maioria dos servidores ganha salários ao nível da subsistência.
Em meio a essa crise sanitária, que deixou a nu a permanente crise do sistema capitalista e sua sina em explorar os recursos naturais e o ser humano até o limite de sua capacidade, cabe perguntar: Como ficam as grandes fortunas? Qual a contribuição desses opulentos no combate à pandemia do novo coronavírus, e a contrapartida do senhor Paulo Guedes, cria da ditadura militar chilena de Augusto Pinochet, acostumado a manter o povo na miséria e sob a opressão? Sugerimos que a navalha seja usada na carne daqueles que nada produzem e nada fazem, além de explorar a força de trabalho alheia. Abaixo o preconceito ao serviço e ao servidor público!