O deputado federal Carlos Chiodini atendeu ao convite feito pelas entidades sindicais para participar da Plenária “Os Trabalhadores e a Reforma da Previdência”, realizada dia 23, no STIVestuário, e foi bastante indagado para que vote contra a Proposta de Emenda Constitucional 06/2019. Um dos 513 parlamentares da Câmara Federal que votarão a Reforma da Previdência do governo, Chiodini disse que desconhecia muitas das informações repassadas pelo advogado e palestrante Matusalém dos Santos e que pretende formar uma opinião sobre a matéria. “O Regime Geral vai perder muito, então, estou disposto a debater com todos”, afirmou. O deputado, inclusive, convidou o palestrante a participar dos próximos debates e se dispôs a ir ao Sindicato, “quando tiver convicto do que fazer”. Chiodini citou os quase 13 milhões de desempregados no país – “o mercado cobra a aprovação da Reforma da Previdência, mas os trabalhadores não a querem” – e disse que emendas à proposta “são possíveis”. Na sua avaliação, a tramitação da PEC 06/2019 não será rápida: “Haverá recesso em julho”. Lembrou, ainda, que 80% dos eleitores da nossa região votaram em Bolsonaro.

Indignação e revolta

Os dirigentes sindicais manifestaram indignação e revolta em relação ao texto da Reforma da Previdência. O presidente do STIVestuário, Gildo Alves, lembrou que os trabalhadores em geral não teriam mais como receber o PIS (Programa de Integração Social), porque limitaria o direito ao benefício somente àqueles que ganham um Salário Mínimo mensal (atualmente são dois Salários) e criticou a falácia de que a Reforma geraria emprego, “assim como prometeram com a Reforma Trabalhista que deixa hoje um saldo de quase 13 milhões de desempregados”. Criticou ainda que no texto da Reforma da Previdência, “o aposentado que está na fábrica há 20, 30 anos, atualmente, com direito dos 40% da multa sobre o FGTS, poderá deixar de receber isso”, e também aquele que recebe o PIS: “Em Jaraguá do Sul nenhum trabalhador vai receber o PIS, porque passaria de dois Salários Mínimos, para um Salário”.

Para o economista José Álvaro Cardoso, a “contrarreforma” retira do povo e dá aos banqueiros. “Querem tirar do miserável, que ganha R$ 1.000,00 de BPC (Benefício de Prestação Continuada), para sobrar mais dinheiro para os banqueiros internacionais”. Reforçou ainda que a Emenda Constitucional 95 – “chamada emenda da morte” – impede a expansão dos gastos primários com o povo, menos um gasto, que é o da dívida pública, ficando evidente que a intenção é encher ainda mais os bolsos dos banqueiros”. Para José Álvaro, a Proposta é feita sobre mentiras e a maior delas é que a Previdência é deficitária: “A Previdência tem oito fontes de receita. Se compararmos somente a receita advinda da folha de pagamento com os gastos, isso é cálculo dos banqueiros e não o cálculo constitucional”. E finalizou: “Posso lhe garantir, dentro dos meus 35 anos de economista, que todos os argumentos econômicos do ministro Paulo Guedes são mentirosos”, afirmou.

Já o coordenador do Sinte Regional, professor Francisco de Assis Rocha, disse que as professoras (60% dos 60 mil professores estaduais) estão “apavoradas”, porque são as que mais terão impacto na sua vida com o que chamou de “deforma” da Previdência. “Imagine, senhor deputado, uma professora com 65 anos de idade numa classe que tenha 35, 40 alunos… é humanamente impossível trabalhar em sala de aula até os 65 anos”, e advertiu: “Vamos fazer uma força violenta contra essa deforma e exigir um posicionamento muito sério de todos os deputados catarinenses. No momento, fazemos um apelo ao diálogo porque, se for preciso, vamos para as ruas porque não aceitaremos essa deforma”.

O mesmo exemplo foi citado pelo diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde, Almir Alexandre, lembrando que 80% dos profissionais que trabalham em hospitais são mulheres, enfermeiras, técnicos, atendentes: “Com 60 anos, como esses profissionais de enfermagem estarão lá para se tratar, não para cuidar de alguém”, advertiu. Trouxe também outra informação ao deputado: “A maior fonte de renda dos 3.875 municípios brasileiros vem do Fundo de Participação dos Municípios e, em muitos casos, o valor dos benefícios previdenciários supera os 82% da arrecadação. Esses municípios pequenos vão encolher, deixar de existir, porque não haverá dinheiro”. Almir citou também o fim do PIS para quem ganha até dois Salários Mínimos: “O governo diz que vai economizar até R$ 17,3 bilhões por ano, mas isso vai levar à quebradeira do Comércio. Qual é o impacto disso na região de Jaraguá do Sul?”, questionou.

A ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção e Mobiliário, atualmente aposentada, Helenice Vieira dos Santos, lembrou ao deputado que as mulheres são as primeiras a serem demitidas, ganham menos e que muitas são obrigadas a ficar em casa, sem trabalhar, para cuidar dos filhos: “As mulheres são maioria nos grupos de idosos, porque vivem mais. Mas, de que adianta viver mais, para pagar os pecados?”, perguntou. “Somos mães, mais da metade da população brasileira, dos eleitores brasileiros e somos mães da outra metade. Pelas mulheres, vote não”, apelou Helenice. Já o professor da rede municipal de ensino, Luiz Eduardo Petry, reforçou que não há déficit na Previdência: “A CPI da Previdência mostra que não há déficit, existe má administração. As maiores empresas do Brasil sonegam a Previdência há anos, por isso, é necessário estudar a fundo e não prejudicar a grande massa de trabalhadores”.