Em Jaraguá do Sul dirigentes sindicais, estudantes e professores do Instituto Federal – existem dois Campus na cidade – se uniram para defender a Educação e a aposentadoria da classe trabalhadora. A manifestação foi durante a tarde, no centro histórico e surpreendeu as pessoas que passavam pela avenida Getúlio Vargas. Muitos nem sabiam o motivo do ato e poucos se deram conta da necessidade da luta para salvaguardar os direitos da maioria. “Nossa luta é todo dia, educação não é mercadoria”, “nas ruas, nas praças, quem disse que sumiu? Aqui está presente o movimento estudantil”, foram algumas palavras de ordem dos alunos do Instituto.

Aproximadamente 2.100 alunos estudam nos dois Campus do IFSC – Centro e Rau – existentes em Jaraguá do Sul. Diretor do Campus Centro, Jaison Vieira da Maia tem feito uma reavaliação sobre o que poderá deixar de ofertar aos alunos. “A gente sobrevive, o que é diferente de viver”, ilustra o professor, lembrando que o corte de verbas anunciado pelo MEC afeta diretamente pesquisa e extensão, viagem de estudos, monitoria, laboratórios, porque os recursos que têm vão para o custeio da instituição, como pagamento de água, luz, limpeza e vigilância, para os contratos terceirizados.

“Quando a gente pensa nos indicadores do Instituto, na qualidade, na empregabilidade do nosso aluno e, no final, na formação que o aluno tem, estamos indo para o raso, que é oferecer o mínimo”, lamenta o diretor do IFSC em Jaraguá do Sul, “estamos cortando tudo e utilizando apenas o que tem no estoque”. Jaison Vieira Maia lembra que o Instituto Federal é uma escola profissionalizante: “Temos 16 salas de aula e 17 laboratórios e hoje deixamos de comprar todo o material de ensino. Se isso continuar no ano que vem, vamos fechar os laboratórios”.

Sentimento dos alunos

No total, são 22 Campus dos Institutos Federais em Santa Catarina, com aproximadamente 50 mil alunos matriculados. No país, são cerca de um milhão de estudantes. O diretor do IFSC Campus Centro de Jaraguá do Sul diz que existe um sentimento de indignação entre os alunos, porque tem uma instituição forte, que defendem e que está ameaçada. “Não se pode transformar a vida de um milhão de estudantes numa simples canetada e mudança de lei, sem uma perspectiva clara sobre onde estamos indo”, afirma, “temos feito um trabalho de diálogo, de amadurecimento, isso faz parte da formação, mas não é fácil”.

Jaraguá do Sul cidade industrial

Negar a importância de um ensino profissionalizante em uma cidade industrial, como Jaraguá do Sul, “é negar a lógica”, adverte o diretor do Campus Centro do IFSC, porque existe demanda de mão de obra e escola que forma para isso, “quando a gente pensa na formação técnica, de curta duração”. E, acima de tudo, uma escola pública, gratuita e de qualidade. “Temos escolas particulares, mas como o aluno vai pagar?”, questiona Jaison Vieira Maia, citando o sistema de assistência social existente no IFSC, que calcula o índice de vulnerabilidade social: “Existem pessoas carentes em nossa cidade. Se a escola não dá bolsa de transporte, o aluno não vai ter formação profissional, porque não tem condições de vir do bairro para o centro”.

Programa “Future-se”

O professor também manifesta preocupação com o programa Future-se, lançado pelo MEC: “A consulta pública, que fecha no dia 15 de agosto, no portal do MEC, tem muitas linhas que não estão claras, não dá para a gente decidir se aceita ou não uma proposta dessas”. Ele cita como exemplo a autonomia financeira, que não é uma proposta do Instituto Federal, e sim a formação integral do cidadão, a promoção da diversidade. “Somos uma instituição de cunho social, que existe para provocar mudanças, não temos como ficar gerando dinheiro para nos sustentarmos”. Sobre a possibilidade dos Institutos serem geridos por uma Organização Social (OS), Jaison questiona: “Como isso vai acontecer, qual a parte que elas serão responsáveis ou qual a diretriz na aplicação dos recursos?” Na sua avaliação, há uma resistência interna para exigir mais clareza no Programa, “porque se for imposto, dessa maneira, não dará certo”.

Reforma da Previdência

O coordenador da Regional Norte da CUT, Marcondes Frontório, lamenta que apesar de todos os esclarecimentos feitos pelo movimento sindical os trabalhadores de Jaraguá do Sul e Região ainda não perceberam que a Reforma da Previdência vai prejudicar a todos. “A população tem que vir para as ruas, dizer que não quer esse modelo de Previdência do governo Bolsonaro, que já deu errado no Chile, onde as pessoas perderam dois terços do valor da aposentadoria e não têm como sobreviver com o benefício tão baixo”. Marcondes não tem expectativa positiva quanto à tramitação da Reforma no Senado: “A gente sabe das dificuldades, mas temos feito todo esforço, falando com os senadores de Santa Catarina para que saibam que temos alternativa em relação à Previdência, que é a geração de emprego e renda e o trabalho com qualidade”. Para o diretor do Sindicato dos Eletricitários (Sindinorte), Ailton Communello, está na hora do povo acordar e se conscientizar sobre o que está acontecendo com os seus direitos. “Daqui a pouco não vai mais ter direito nenhum, vamos voltar para a escravidão”, adverte.