Sindicatos da região Norte de Santa Catarina participaram, dia 7 de abril, em Joinville, de ato público em defesa da Saúde e da Vida da Classe Trabalhadora. A manifestação aconteceu na Praça da Bandeira, centro da cidade, em celebração ao Dia Mundial da Saúde. A intenção dos organizadores foi chamar a atenção da população para a necessidade de mais peritos no INSS, melhores condições no ambiente de trabalho e contra a terceirização, já que ao Projeto de Lei 4.330, que trata da terceirização, pode ser votado a qualquer momento pelo Congresso Nacional. O ato também foi de apoio à greve dos professores da rede estadual, que começou dia 24 de março. Até o momento, o Sindicato da categoria estima que a paralisação atinge cerca de 40% da categoria.

Uma comissão de manifestantes entregou um documento à gerência do INSS de Joinville contendo as reivindicações no que se refere à saúde do trabalhador. A falta de médicos peritos é um caso considerado grave pelo movimento sindical de todo o Estado. Atualmente, a cidade de Joinville conta com apenas noves peritos e duas agências, sendo que o prazo para se conseguir uma perícia médica é de 120 dias. Também foi denunciada a falta de fiscais e mesmo quando eles aparecem nos locais de trabalho, eles avisam antes, afirmou um sindicalista presente ao ato. Segundo ele, somente em uma grande empresa de Joinville, 700 trabalhadores estão afastados por doença ou acidente de trabalho. O número de trabalhadores com carteira assinada em Joinville é de 198 mil.

De acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de um total de 2,34 milhões de acidentes de trabalho mortais a cada ano, 321 mil se devem a acidentes, os outros 2,02 milhões de mortes são causadas por diversos tipos de enfermidades relacionadas com o trabalho, o que equivale a uma média diária de mais de 5.500 mortes. A presidente do Sindicato da Construção e Mobiliário de Jaraguá do Sul e Região, Helenice Vieira dos Santos lamentou a triste situação em que se encontram os trabalhadores vítimas de acidentes e doenças do trabalho, lembrando que a categoria a que pertence é uma das campeãs em mutilação e acidentes com mortes. Ela também declarou apoio à greve dos professores.

O presidente do Sindicato dos Servidores de Jaraguá do Sul e Região (Sinsep), Luiz Cezar Schörner lembrou ainda que as manifestações fazem parte do movimento sindical, “que sempre esteve nas ruas reivindicando e cobrando do governo”. Já o presidente do Sindicato da Construção e Mobiliário de São Bento do Sul e Campo Alegre, Airton Anhaia criticou os Sindicatos que estão deixando a luta de lado e comparou a situação atual com a época da escravidão. “Somos os escravos modernos e a caneta é o chicote”, disse o sindicalista, fazendo referência ao ataque dos políticos e dos empresários aos direitos dos trabalhadores. Fonte: Informaeditora