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O Sinsep manifesta profundos sentimentos de perda e indignação diante do anúncio, nesta semana, do fechamento do GATS (Grupo Artístico e Teatral Scaravelho). Depois de 30 anos divertindo e levando Cultura aos jaraguaenses, o GATS fecha porque não tem mais como sobreviver. O movimento artístico perde, assim, um dos seus maiores expoentes. Com o fim do GATS, perdem, também, os alunos da rede pública de ensino, os movimentos sindical e social e a sociedade catarinense.

Todo cidadão tem direito à cultura. Assim como recebe verbas federais para Educação, Saúde e Assistência Social, o município é contemplado com recursos para a área cultural. No entanto, a partir do Projeto de Lei que acaba com o Fundo Municipal de Cultura, enviado à Câmara de Vereadores no início desse ano, o município deixou de receber esses recursos. O corte patrocinado pelo atual prefeito, com apoio dos vereadores e gestores da Fundação Cultural de Jaraguá do Sul, contando com a ineficiência do Conselho Municipal de Cultura, foram os responsáveis pelo triste anúncio feito pelo GATS.

Acabam-se, assim, as poucas iniciativas culturais de Jaraguá do Sul. O município chegou a receber Prêmio de Atuação em Políticas Culturais, em nível estadual, e era modelo para vários municípios do estado, graças ao empenho e ao ativismo político-cultural do GATS, formador de plateias com consciência crítica em nossa região.

O GATS foi um dos apoiadores da greve dos servidores públicos de Jaraguá do Sul, deflagrada no início desse ano. A categoria é testemunha do que o Grupo  representou nas manifestações de rua, na condução dos atos públicos e passeatas do movimento de luta pelo reajuste salarial anual e contra a retirada de direitos. Os trabalhadores e trabalhadoras jaraguaenses também estavam acostumados a assistir às peças teatrais do GATS, advertindo quanto à prevenção aos acidentes de trabalho, denunciando a violência e a discriminação contra as mulheres.

Não é comum, na história, o fechamento de organizações que fomentam a Cultura. Isso acontece, regra geral, na esteira de golpes de Estado contra as instituições democráticas. Quando as ditaduras se manifestam, o primeiro ataque acontece na área cultural – começam fechando teatros, depois, prendem artistas e queimam suas obras. Que o GATS volte e resista com toda a força é o que desejamos. Porque os tempos sombrios passarão.

A DIRETORIA

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