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A manifestação contra as reformas do governo ilegítimo de Temer, realizada no trevo de acesso a Navegantes, foi reprimida de forma violenta pela Polícia Militar, que chegou atirando com balas de borracha e jogando bombas de efeito moral. Policiais apareceram em seis viaturas, antes do sol nascer, e primeiro atiraram para depois negociar a permanência dos manifestantes por apenas 15 minutos. Vários companheiros ficaram feridos, atingidos com bala de borracha e cassetetes. Durante o tempo que permaneceram na rodovia, houve um congestionamento de cerca de 10 quilômetros. A Intersindical dos Trabalhadores de Jaraguá do Sul e Região e dirigentes sindicais da região Norte e Vale do Itajaí e Grande Florianópolis estiveram presentes na manifestação. À tarde, houve Ato Público na Praça da Bandeira, em Joinville.

Depois de serem obrigados a sair da rodovia BR 470, os manifestantes foram em caminhada até a BR 101, onde novamente fecharam a pista, foram perseguidos e dispersados pela polícia que, mais uma vez, disparou contra eles. Dois companheiros do MST foram detidos e quem ficou na linha de frente teve que correr em busca de proteção. Algumas lideranças foram agredidas também verbalmente pela PM. O líder do MST, Jurandir, ferido a bomba embaixo do pé direito, disse que não esperava tanta repressão à luta pacífica: “Chegaram atirando na gente, nas mulheres, nas crianças, feriram muitos companheiros, isso é a mando do governo Raimundo Colombo, um abuso de autoridade”.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção e do Mobiliário de São Bento do Sul e Campo Alegre, Airton Anhaia estava falando no caminhão de som quando a PM reprimiu os manifestantes pela primeira vez. “Ser pacífico e respeitoso não garante nada, porque a mesma polícia que defende bandidos (referindo-se aos ministros corruptos do governo e ao próprio presidente ilegítimo Michel Temer, processados na Operação Lava Jato) está aqui massacrando os trabalhadores”, protestou Airton.

O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Jaraguá do Sul e Região (Sinsep), Luiz Cezar Schorner lamenta que “as forças da repressão sempre estejam do lado dos patrões” e lembra que todos os direitos que os trabalhadores têm foram conquistados com muita luta e em dias normais de trabalho: “Aquilo que o Brasil conquistou em final de semana foi um golpe para retirar os direitos dos trabalhadores”.

O coordenador da Regional Norte da CUT, professor Lourivaldo Schülter, comenta que “normalmente a polícia negocia, conversa com o movimento, mas aqui já chegou batendo, lançando bomba de gás, atirando, um desrespeito com o cidadão que está lutando pelos direitos da classe trabalhadora, contra as reformas trabalhista e da previdência e esse governo ilegítimo”. O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Joinville, Wanderlei Monteiro critica que a violência está se tornando comum nos atos dos trabalhadores. “Tem que haver diálogo antes da repressão”. Outro dirigente atingido com balas de borracha foi o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Plásticos de Biguaçú, Sérgio Ribeiro: “Nunca imaginava essa covardia da polícia, estamos desarmados, acho um absurdo, de algum lugar veio a ordem para que os policiais chegassem atirando, atingindo não só a mim mas a várias pessoas do movimento”.

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